A pandemia… dos ignorados
01/06/2020 15:35:21
Dr. Joaquim Brites, presidente da Associação Portuguesa de Neuromusculares (APN)
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A pandemia… dos ignorados

Desde o aparecimento do primeiro caso de COVID-19 em Portugal, têm-se sucedido medidas de proteção, de isolamento, de distanciamento social, de regras de higiene e tantas, tantas outras normas, deliberações, Decretos-lei, Despachos, etc., que não caberiam num pequeno texto como este. Com as muitas aulas de higiene que têm entrado pelas nossas casas, até aprendemos (espero eu) a lavar as mãos com um temporizador em forma de uma música, que todos conhecemos. Os Parabéns. Também aprendemos a não nos aproximarmos demais das outras pessoas, a não nos cumprimentarmos, como tossir, como espirrar, entre outras novas regras sociais que, queremos, sejam temporárias.

 

Na expetativa de que soubéssemos mais, tentaram ensinar-nos, como se fôssemos todos muito burros, quais eram os grupos de maior risco. Disseram-nos que as pessoas idosas, considerando aquelas que têm mais de 70 anos, eram mais vulneráveis e, por conseguinte, potenciais portadores de maiores morbilidades. Um termo que muitos não conheciam e que, ainda hoje, continuam sem saber exatamente o que é. Falaram-nos, também, das pessoas portadoras de doenças crónicas, dos imunodeprimidos ou de várias outras patologias consideradas graves e, por isso, mais sensíveis e menos resistentes a um possível contágio com a COVID-19. Porque não se podiam lembrar de todos, foi exatamente deste último grupo que se foram esquecendo.

Depois de tantas aulas, vieram as ordens para que ficássemos em casa. E ficámos! Durante os últimos quase três meses, uma grande parte da população recolheu-se nas suas casas. Alguns, sem a possibilidade de trabalhar dado o encerramento de algumas empresas. Outros, a quem foi dada essa possibilidade porque o tipo de profissão, local de trabalho e recursos, o permitiam, passaram ao regime de teletrabalho. Outra lição que nos deram. Podemos, por isso, afirmar que, durante este tempo, aprendemos a conviver com algumas realidades novas, que não faziam parte do nosso quotidiano.

O que não pudemos aprender, ou melhor dizendo, relembrar, é que neste grande grupo de pessoas consideradas vulneráveis, podemos considerar que foram ignoradas muitas delas. Refiro-me aquelas que são apelidadas de “pessoas com deficiência”. E são muitas! Nas suas múltiplas formas. E muitas que trabalham, apesar das suas incapacidades ou limitações físicas. Que lutam pela sua sustentabilidade. Muitas, ainda, que, apesar da sua dependência de terceiros, mantêm intactas as suas capacidades cognitivas e contribuem para o PIB nacional. Sobre essas, e para essas, não ouvimos uma palavra ao longo deste período. Genericamente, a pandemia fez esquecer a sua vulnerabilidade e todo o trabalho de inclusão e de reabilitação que muitos, como eu, têm tentado trazer para a ordem do dia, nos últimos anos.

Leia o artigo completo na página da News Farma dedicada em exclusivo à COVID-19, aqui.


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