Vertis CV reforça a importância dos iSGLT2 na IC e na nefroproteção
12/11/2020 10:41:00
Dr.ª Joana Louro, especialista em Medicina Interna do Centro Hospitalar do Oeste – Unidade de Caldas da Rainha
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Vertis CV reforça a importância dos iSGLT2 na IC e na nefroproteção

Os iSGLT2 vieram mudar o paradigma no tratamento da diabetes: tratar os nossos doentes muito além do controlo glicémico, conferindo-lhe um benefício adicional.

 

O Vertis CV – o estudo de outcome cardiovascular da ertuglifozina e o 4.º publicado dentro desta classe farmacológica – incluiu 8246 doentes com diabetes mellitus 2 e doença cardiovascular estabelecida, envolvendo 531 centros em 34 países. E veio reforçar os dados já previamente conhecidos relativamente à classe dos iSGLT2, em geral, e à ertuglifozina, em particular.

Os resultados que foram divulgados nos webinars Vertis CV, realizados nos passados dias 14 e 27 de outubro, revelam que, relativamente à eficácia, e enquanto antidiabético oral, tem um impacto positivo na redução da HbA1c, do peso e da pressão arterial sistólica. Adicionalmente, vieram, sobretudo reforçar o conceito de segurança associado à molécula e à classe, numa população de elevado risco cardiovascular (CV) – que é a população do Vertis CV -, não só em termos de efeitos adversos, mas, principalmente, ao nível da segurança cardiovascular, ao atingir o endpoint primário (3P-MACE) de não inferioridade. Uma vez que não atingiu a superioridade no primeiro endpoint secundário composto (morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca), apesar de ter alcançado uma redução de 17% do risco, os restantes endpoints secundários são exploratórios, pois, do ponto de vista estatístico, trata-se de uma análise hierárquica.

O Vertis CV, nomeadamente as subanálises dos outcomes renais e de insuficiência cardíaca (IC), consolidou a importância da classe, ao mostrar uma redução de 30% nas hospitalizações por IC (tanto no primeiro evento, como nos eventos recorrentes), assim como uma redução de 19% nos endpoints renais, com evidência clara na preservação da Taxa de Filtração Glomerular (TFG) e redução da albuminúria ao longo do tempo.

 Além da mudança de paradigma no tratamento da diabetes tipo 2, os iSGLT2 mudarão também o paradigma no tratamento da IC e da nefropatia em doentes com e sem diabetes. Falamos de uma classe que previne, trata e muda prognóstico e o curso natural da doença, nomeadamente no que se refere à doença renal crónica (DRC) e IC. Os benefícios são inquestionáveis, sendo amplamente demonstrados nos múltiplos ensaios e espelhados na metanálise, fundamentando as recomendações das sociedades médicas contemporâneas: em qualquer doente com diabetes, com doença arteriosclerótica estabelecia ou elevado risco cardiovascular, que tenha DRC ou história de IC, os iSGLT2 têm obrigatoriamente de constar do seu esquema terapêutico.

Nos restantes casos, em que não existe elevado risco CV, doença arteriosclerótica estabelecida, IC ou DRC, devem ser uma opção a considerar logo após a metformina, pela sua eficácia glicémica e na perda ponderal. Trata-se assim de um fármaco eficaz, seguro e sem risco de hipoglicemia, aplicável a um largo espectro de doentes. Acautelando sempre que o doente, sobretudo os mais idosos, mantêm o nível de hidratação adequado e alertando para o risco de infeções genitais micóticas, preveníveis com medidas cuidadas de higiene individual.

 


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