CHULN é pioneiro em transplante de membrana amniótica para encerrar buraco na retina
07/01/2020 16:05:30
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CHULN é pioneiro em transplante de membrana amniótica para encerrar buraco na retina

Um tratamento inovador para o encerramento de buraco macular na retina, um problema de grave visão, mediante o transplante de membrana amniótica está a ser aplicado pelo serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), ao qual o Hospital de Santa Maria pertence.

 

Liderada pelo Dr. Walter Rodrigues, a técnica inovadora já foi usada em quatro cirurgias, sendo que o CHULN prevê a realização de mais três transplantes até ao final de janeiro. Ainda que usado em poucas instituições a nível mundial, o tratamento mostra 100% de eficácia em casos designados sem solução.

O buraco macular atinge a parte central da retina, a responsável pela visão fina, central e das cores. A partir de 1990 começaram a ser introduzidas técnicas que permitiram encerrar estas lesões, e a taxa de sucesso ronda os 90% atualmente. Contudo, em casos em que o buraco tinha grandes dimensões não era possível aplicar o qualquer tratamento, segundo o comunicado do CHULN.

Em 2017, surgiram novas técnicas para estes casos, nomeadamente o transplante de retina autólogo, cirurgia introduzida no CHULN pelo Prof. Doutor Carlos Marques Neves, diretor da Clínica Universitária de Oftalmologia. Já em 2019, o encerramento do buraco macular foi feito através do recurso à técnica de transplante de membrana amniótica, com 100% de sucesso.

“Muito recentemente passámos a realizar uma intervenção ainda mais eficaz, com membrana amniótica, da placenta”, esclarece a Dr.ª Mun Faria, médica oftalmologista e coordenadora do departamento de Retina Cirúrgica do CHULN.

A especialista revela que é colocada uma porção de membrana no buraco macular, permitindo “uma taxa de encerramento de 100%, com os doentes a recuperarem a visão”, explica.

Esta técnica inovadora pode abrir portas a novos tratamentos, na medida em que se trata de uma intervenção de continuidade num tecido nervoso: “sabemos que quando há lesão num tecido nervoso não há recuperação. O globo ocular tem na sua zona central uma extensão do sistema nervoso, com camadas de células nervosas. Conseguindo estes resultados, não só tratamos os doentes como podemos abrir perspetivas para novos tratamentos neurológicos”, estima a Dr.ª Mun Faria.

 


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