ESC Atlas revela que Portugal está entre os piores países na mortalidade por AVC
21/01/2020 16:26:00
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ESC Atlas revela que Portugal está entre os piores países na mortalidade por AVC

Os resultados da segunda edição do estudo Atlas da Cardiologia da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) foram apresentados ontem, dia 20 de janeiro, na sede da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), em Lisboa. O documento, elaborado pelo Gabinete de Estudos da SPC, é o resultado de uma análise da realidade cardiovascular de 51 países, incluindo todos os países europeus e alguns da África do Norte, do Golfo Pérsico e da antiga União Soviética. Em declarações à News Farma, o Prof. Doutor Victor Gil, presidente da SPC, realçou que o panorama cardiovascular português tem um longo caminho a percorrer, tendo em conta os valores da mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC), superiores aos de todos os países da Europa Ocidental, por exemplo. Assista à entrevista na íntegra.

 

Ainda que considere que Portugal se encontra “relativamente bem” quando comparado com os países considerados pela SPC como os “mais próximos relativamente à doença isquémica do coração”, no caso do AVC e das suas consequências, como os “anos de vida perdidos ajustados por incapacidade e vividos com incapacidade”, o Prof. Doutor Victor Gil acredita que há um longo caminho a percorrer. De acordo com o estudo, Portugal encontra-se na 25.ª posição entre as mulheres e na 28.ª entre os homens.

O Prof. Doutor Sérgio Baptista, coordenador do Gabinete de Estudos da SPC, apontou na apresentação dos resultados que, “em termos de AVC, é preciso intervenção”, de modo a reduzir o impacto na mortalidade, superior à de todos os países da Europa, mas também nos anos de vida perdidos e na vivência com incapacidade. Contudo, Portugal apresenta bons resultados quanto à esperança média de vida e ao impacto da doença coronária na mortalidade e anos de vida perdidos ajustados por incapacidade e vividos com incapacidade. O mesmo se verifica quanto ao impacto da doença cardíaca hipertensiva.

“Estamos bem no tabaco e relativamente bem na obesidade, embora já haja a identificação de excesso de peso na população portuguesa que preocupa, mas em comparação com os outros países estamos bem. Não estamos bem, de todo, na diabetes, o que é um aspeto importante, e estamos muito mal nos hábitos de exercício físico”, salienta o presidente da SPC, referindo-se aos fatores de risco das doenças cardiovasculares e do seu panorama em Portugal, também realçados na intervenção do coordenador do Gabinete de Estudos da SPC.

A nível de recursos, Portugal tem um número elevado de hospitais com aparelhos de TAC e ressonância magnética nuclear. Também apresenta valores elevados no que toca à implantação de pacemakers permanentes, desfibrilhadores, sistemas de ressincronização cardíaca e procedimentos de eletrofisiologia. Contudo, há um deficit de camas nos serviços de Cardiologia e Cuidados Intensivos Cardíacos, assim como de programas de reabilitação cardíaca intra e extra-hospitalar, aspeto “muito mal representado em comparação com outros países europeus”, refere o presidente.

 

Portugal apresenta “um grande desequilíbrio” entre as subespecialidades

No que diz respeito à Cardiologia e às suas subespecialidades, Portugal ocupa o 10.º lugar em 44 países quanto ao número total de cirurgiões cardíacos e o 19.º no que toca o número de cardiologistas. Ainda assim, verifica-se um grande desequilíbrio entre as subespecialidades, posicionando-se no 11.º lugar em 35 países quanto ao número de electrofisiologistas, mas ocupando a 34.ª posição em 42 países nos cardiologistas de intervenção. Nesse sentido, o responsável realça as melhorias que têm que ser feitas, particularmente na Cardiologia de Intervenção e na Arritmologia.

A intervenção do Dr. António Sales, secretário de Estado da Saúde, deu por terminada a sessão, sublinhado a “responsabilidade de refletir o presente e de projetar o futuro”. A aposta passa por uma nova abordagem à prevenção, “desde os primeiros anos de vida”, no reforço dos recursos humanos e na promoção da literacia em saúde, de modo a tornar o “SNS mais justo e inclusivo para que responda às necessidades da população”.

Os dados que constam na análise foram recolhidos a partir de entidades como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Banco Mundial, Organização Mundial de Saúde (OMS), e registos nacionais, pelo que, segundo o Prof. Doutor Victor Gil, “são dados necessariamente heterogéneos”. Contudo, o presidente da SPC garante que procuraram “ter o maior rigor possível”, aconselhando-se junto de pessoas da Escola Nacional de Saúde Pública e da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), por exemplo.

Como sociedade científica, o presidente refere que foi feito “este esforço numa primeira reflexão”, acrescentando que “há vontade de continuar a trabalhar os números e continuar a investigar um pouco melhor”, parecendo ao responsável que houve recetividade por parte da tutela de trabalhar com a SPC, “para que [a informação] possa ser utilizada e trabalhada a bem da população”, conclui.

 

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