OMS declara novo coronavírus emergência global de Saúde Pública
31/01/2020 16:44:37
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OMS declara novo coronavírus emergência global de Saúde Pública

Depois de duas reuniões, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou esta quinta-feira, dia 30 de janeiro, o surto de coronavírus como uma emergência de Saúde Pública de interesse internacional. A decisão, que representa a sexta vez que a OMS declara emergência de Saúde Pública internacional em relação a um surto, surge num momento em que a epidemia já se encontra em 22 países, contabilizando 83 casos internacionais e mais de nove mil pessoas infetadas e 213 mortos na China, de acordo com os dados mais recentes.

 

“A única forma de ultrapassar o coronavírus é se todos os países trabalharem em conjunto num espírito de solidariedade e cooperação”, afirmou o diretor-geral da OMS, o Dr. Tedros Ghebreyesus na conferência de imprensa. O responsável congratulou a resposta rápida e da China, reiterando que a OMS continua a ter confiança na capacidade do país de controlar o vírus.

Ainda assim, a “maior preocupação é o potencial de o vírus se espalhar a países com sistemas de saúde mais fracos, e que não estão bem preparados para lidar com o coronavírus”, acrescentou o diretor-geral. Apesar do epicentro da infeção ser na China, o vírus já se encontra em países como a França, Alemanha, Estados Unidos, Austrália e Japão, com o Reino Unido, Finlândia e Emirados Árabes Unidos representando os mais recentes a juntar-se à lista.

O Regulamento Sanitário Internacional da OMS define emergência de Saúde Pública internacional como “uma situação extraordinária que constitui um risco de Saúde Pública para outros Estados através da disseminação internacional de doenças e por potencialmente exigir uma resposta internacional coordenada”.

Para que seja decretada internacionalmente, a situação tem que cumprir critérios estabelecidos: o surto tem de ser “sério, repentino, incomum ou inesperado”, trazer “implicações para a saúde pública além da fronteira nacional do Estado afetado”, e “pode exigir uma resposta internacional imediata”. As recomendações inerentes a este estado de emergência expiram daqui a três meses, altura em que o comité de emergência se deverá reunir para determinar a sua validade.

Uma emergência de saúde pública internacional requer a adoção de medidas de prevenção coordenadas à escala mundial. Nesse sentido, a OMS recomenda que a China:

• implementar uma comunicação estratégica de risco no sentido de informar regularmente a população da evolução do surto, medidas de prevenção, proteção da população e contenção do vírus
• aumentar as medidas de Saúde Pública de modo a conter o vírus
• assegurar a resiliência do sistema de saúde e a proteção dos profissionais de saúde
• aumentar a segurança e busca ativa de casos na China
• colaborar com a OMS e os seus parceiros em investigações para compreender a epidemiologia e evolução do surto, bem como medidas para o conter
• partilhar dados relevantes
• continuar a identificar o epicentro do surto e, particularmente, o potencial de disseminação com a OMS assim que seja disponível
• realizar rastreios de saída nos aeroportos e portos internacionais, com o objetivo da deteção e tratamento precoces, minimizando a interferência no tráfego internacional.

A todos os países, a OMS alerta que são legalmente obrigados a partilhar informações sobre potenciais casos, devendo informar a organização de imediato caso algum animal seja detetado com este novo vírus, acrescentando que não vai impor restrições em viagens ou transações comerciais. O comité alertou ainda para o prejuízo contra ações que promovam sentimentos de descriminação.

Esta é a sexta vez que a OMS declarou emergência de Saúde Pública internacional. Em 2019, a organização atribuiu o mesmo estatuto ao surto do vírus do ébola, que ainda está em curso na República Democrática do Congo e já matou mais de duas mil pessoas. A OMS também considerou como emergências de saúde pública de nível internacional a epidemia do vírus Zika, em 2016, bem como o anterior surto de ébola na África Ocidental, que matou mais de 11 mil pessoas entre 2014 e 2016. Ainda em 2014, foi também atribuído à poliomielite estado de emergência internacional, e, em 2009, à gripe suína (o vírus H1N1).

 

Casos de infeção continuam a aumentar

A China informou hoje, dia 31 de janeiro, que o número de mortos subiu para 213 e o de pessoas infetadas para 9.692. Os números anunciados dizem respeito às últimas 24 horas e representam mais 43 mortos e quase mais dois mil casos de infeção em relação aos últimos dados avançados pelas autoridades chinesas, que apontavam para 7.736 pessoas infetadas e 170 mortos.

De acordo com dados do relatório diário da Comissão Nacional de Saúde, atualizado às 4h (20h de quinta-feira, em Lisboa), o número de pacientes em estado grave é de 1.527, ao passo que 171 pessoas já receberam alta.

A cidade de Wuhan, epicentro do surto, está isolada há uma semana, bem como a quase totalidade da província de Hubei, onde vivem 56 milhões de pessoas.

Os Estados Unidos e o Japão retiraram parte dos seus concidadãos de Wuhan, algo que Portugal também se prepara para fazer, juntamente com outros países europeus.
Várias companhias aéreas suspenderam ou reduziram drasticamente os seus voos para a China continental devido à propagação do novo coronavírus.

A Rússia anunciou na quinta-feira a intenção de fechar 4.250 quilómetros de fronteira com a China, e o Cazaquistão ordenou o encerramento das ligações em autocarro, avião e comboio com o país vizinho.

 


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