Células estaminais do sangue do cordão umbilical expandido com bons resultados em doentes oncológicos
03/02/2020 16:08:11
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Células estaminais do sangue do cordão umbilical expandido com bons resultados em doentes oncológicos

A transplantação com sangue do cordão umbilical expandido em laboratório resultou numa elevada taxa de sobrevivência e reduzida incidência de complicações pós-transplante em doentes oncológicos de alto risco. Foram estas as conclusões de um estudo publicado na edição de fevereiro da revista científica The Lancet Haematology.

 

Numa amostra de 22 doentes com vários tipos de neoplasias, desde leucemias, síndromes mielodisplásicas, linfomas e mieloma múltiplo, 10 eram considerados de alto risco, cinco já tinham sido transplantados sem sucesso, e outros cinco tinham doença agressiva, em recaída ou refratária.

Os investigadores multiplicaram as células estaminais da unidade de sangue do cordão umbilical para cada doente, através da molécula UM171. Foi possível observar que, em apenas sete dias, o número de células estaminais aumentou, em média, 35 vezes, quando comparado com o valor inicial. Este processo de expansão permitiu que metade dos doentes fosse transplantado com uma unidade de sangue do cordão umbilical adequada em termos de dose celular e com melhor grau de compatibilidade, o que aumentou as probabilidades de sucesso dos transplantes.

De acordo com os estudiosos, os resultados revelaram-se muito positivos, tendo-se observado, em todos os casos, uma rápida recuperação da produção de células do sangue e sistema imunitário, uma elevada taxa de sobrevivência (90%) e reduzida incidência de complicações pós-transplante.

A Dr.ª Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, revela que “para além deste, outros métodos têm sido desenvolvidos com vista à multiplicação das células do sangue do cordão umbilical em laboratório antes de um transplante, tendo sido reportados resultados muito promissores nos últimos anos”. Na verdade, os resultados positivos deste estudo conduziram a outros dois ensaios clínicos para testar a utilização da técnica em doentes com leucemias e síndromes mieodisplásicas de alto risco, que têm atualmente opções de tratamento muito limitadas.

“O êxito de uma estratégia de expansão celular permitirá o acesso de mais doentes a uma fonte de células estaminais com elevado grau de compatibilidade, com repercussões positivas na taxa de sucesso destes transplantes”, bem como a menor probabilidade de transmissão de agentes infeciosos, disponibilidade imediata, menor incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro e o melhor grau de compatibilidade possível, acrescenta.

Os fatores determinantes do sucesso dos transplantes incluem a compatibilidade entre o doente e as células do sangue do cordão umbilical e o número de células mais adequado para o mesmo. Ainda que não seja necessário haver compatibilidade total, esta deve ser a mais elevada possível, de modo a maximizar as probabilidades de sucesso e reduzir as complicações associadas ao transplante. Contudo, nem sempre as unidades de sangue do cordão umbilical mais compatíveis com um doente correspondem às que têm o número de células mais adequado.

 


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