Investigadores publicam estudo inédito sobre tuberculose multirresistente em Portugal
17/02/2020 14:49:47
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Investigadores publicam estudo inédito sobre tuberculose multirresistente em Portugal

Investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL) publicaram o maior estudo até à data sobre a emergência e disseminação da tuberculose multirresistente em Portugal, situando o seu aparecimento nos anos 70, através de duas estripes que permanecem em circulação e de uma evolução marcada pela resistência a diversos antibacilares.

 

O estudo, publicado a 13 de fevereiro na revista Nature-Scientific Reports, foi o resultado da análise genómica de 207 isolados clínicos de Mycobacterium tuberculosis, o agente etiológico da doença, obtidos ao longo de duas décadas em Portugal e nas regiões autónomas. O trabalho revelou a presença de duas estripes distintas, a Lisboa3 e a Q1, que, tendo sido previamente identificadas em Lisboa, é agora demonstrada a presença da estripe Lisboa3 também nas regiões autónomas. Ambas as estripes são responsáveis pelos casos de tuberculose multirresistente em Portugal, tendo provável origem em Lisboa, mas sofrendo mutações à medida que se foram disseminando ao longo do país.

Foi ainda identificado um conjunto de marcadores genéticos específicos para estas estripes, que, dada a sua multirresistência, serão importantes no que toca a realização de testes moleculares mais rápidos para a sua identificação e rastreamento epidemiológico. Estes marcadores revelaram aina a presença destas estripes em países como o Brasil, Mali, Reino Unido e Suíça, sendo Portugal o ponto de partida, o que dá pistas quanto à global destas estripes.

O trabalho foi coordenado pelos Profs. Doutores Isabel Portugal e João Perdigão, professora e investigador da FFUL e do Instituto de Investigação do Medicamento (iMed.ULisboa), respetivamente, contanto ainda com a colaboração do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), pioneiro no diagnóstico laboratorial destas estripes desde os anos 90, e com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), para além de diversos hospitais e laboratórios. A London School of Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM) auxiliou também na sequenciação e caracterização genómica destas estripes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose é a décima causa de morte a nível mundial, tendo, em 2018, sido responsável por cerca de 1,2 milhões de mortes em indivíduos HIV-negativos e 251 mil mortes entre indivíduos coinfetados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). A tuberculose está atualmente sob controlo em Portugal, após 20 anos de combate à doença.

 


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019