Covid-19: SPMI emite recomendações sobre hospitalização domiciliária
18/03/2020 17:13:01
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Covid-19: SPMI emite recomendações sobre hospitalização domiciliária

A propósito da situação epidemiológica que Portugal atravessa, o Núcleo de Estudos de Hospitalização Domiciliária (NEHospDom) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) elaborou um documento onde define o modelo de intervenção que as Unidades de Hospitalização Domiciliária (UHD) devem adotar, em articulação com as restantes entidades de saúde envolvidas, quanto à infeção pelo novo coronavírus.

 

Numa primeira fase, o NEHospDom sugere que as UHD reforcem a sua capacidade de internamento com o aumento do número de doentes a seu cargo, de forma a permitir absorver mais doentes sem infeção por coronavírus e libertar camas no hospital para doentes infetados. Contudo, o organismo realça que devem ser respeitados os limites dos recursos humanos e materiais de cada unidade e reforçados de acordo com as exigências. Nesta primeira fase, ficam excluídos casos em investigação, casos prováveis ou confirmados de covid-19, ainda que com sintomatologia ligeira.

A entidade acrescenta que as equipas de UHD devem “fazer a admissão de presumíveis doentes sem infeção em casa, evitando a sua deslocação ao hospital. Estes doentes poderão ser identificados pelos Centros de Saúde, consultas externas ou Hospitais de Dia, e serão doentes com necessidade de internamento e referenciados diretamente à UHD local”. Caso seja possível, deve ser criado um contacto direto para a equipa da UHD local e feita divulgação pelos meios oficiais junto dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACEs) e Unidades de Saúde Pública (USP) locais, adianta.

Passando a uma segunda fase, o núcleo recomenda que as UHD trabalhem em conjunto com as equipas do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência a Antimicrobianos (PPCIRA) e com as USP locais, no sentido de avaliar necessidades que possam surgir. Entre estas está a colheita de material, se o número de casos suspeitos for elevado, com necessidade de isolamento no domicílio e se considerar um risco a admissão hospitalar para esse efeito, a vigilância de doentes até negativização de serologias, entre outras.

Ainda nesta fase, podem ser admitidos doentes infetados que estiveram internados no hospital e que já se encontram estáveis para internamento em casa, devendo ser mantidas as medidas de isolamento até à alta, revela o organismo.

No que diz respeito a uma terceira fase, caso se verifique um aumento do número de doentes infetados, e após esgotar a capacidade de internamento convencional do hospital, “as UHD podem assumir o internamento e/ou vigilância no domicílio de casos 5 confirmados ou prováveis de covid-19, se a equipa de PPCIRA e/ou Unidade de Saúde Publica local assim o entenderem”, recomenda o NEHospDom.

Contudo, o núcleo sublinha que devem estar asseguradas medidas de isolamento no domicílio, como lavagem das mãos, etiqueta respiratória, limpeza e desinfeção do espaço físico, e contenção de movimentações em casa. Doentes e cuidadores devem também ser capazes de reconhecer sinais de agravamento respiratório, que têm necessidade de retorno ao hospital.

Para educar doentes e cuidadores, a SPMI refere que o doente deve permanecer numa divisão ventilada usada em exclusivo por si, permanecendo a, pelo menos, um metro dos cuidadores, que deve ser preferencialmente apenas um, sem condições de saúde vulneráveis. A pessoa doente fica impedida de receber visitantes no domicílio durante o período de isolamento. Caso seja inevitável, deve ser feito o registo diário das visitas com nome, data/hora e contacto das pessoas que estiveram em casa. Os cuidadores, por sua vez, devem ser rastreados até 14 dias depois da alta do doente.

Além disso, não devem ser partilhados utensílios de higiene, alimentação, cama e outros produtos ou peças de uso pessoal. As superfícies e zonas de estadia do doente devem ser higienizadas diariamente com hipoclorito de sódio, e a roupa deve ser lavada com detergente habitual a 60-90.ºC. A entidade realça ainda a importância da higiene das mãos, nomeadamente antes e depois das refeições, bem como o uso das máscaras e luvas, que não são reutilizáveis. O doente deve usar máscara de forma permanente, ao passo que os cuidadores só usam máscara quando estão na mesma divisão que a pessoa infetada, conclui o NEHospDom.


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