IGC sequencia vírus SARS-CoV-2 e contribui para maior conhecimento do vírus
07/04/2020 16:19:04
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
IGC sequencia vírus SARS-CoV-2 e contribui para maior conhecimento do vírus

Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) sequenciaram, em apenas seis horas, as primeiras três amostras positivas do vírus SARS-CoV-2 vindas de uma unidade hospitalar da região de Lisboa e Vale do Tejo. As amostras foram totalmente sequenciadas e comparadas com outros genomas do vírus. Os genomas sequenciados pertencem aos clusters A1a e A2a, do conjunto de 10 atualmente identificados. Ao todo já há 4.279 genomas sequenciados, a nível internacional, e o IGC prevê sequenciar cerca de dois mil genomas nos próximos três meses.

Conhecer o vírus e as suas possíveis mutações é determinante para definir estratégias de contenção, tratamento e prevenção. Segundo o Dr. Ricardo Leite, coordenador da unidade de Genómica do IGC “temos o know-how da tecnologia Nanopore, mais célere que a tecnologia de sequenciação Illumina, tipicamente usada, e que nos dá flexibilidade para estudar o genoma do vírus SARS-CoV-2”. A sequenciação fornece informação sobre as possíveis cadeias de transmissão o que “nos permite fazer o tracking da cadeia de propagação do vírus” reforça o investigador.

Os dados obtidos são depositados em plataformas de acesso aberto o que permite a toda a comunidade científica partilhar esta informação. A taxa estimada a que o vírus adquire mutações é atualmente de cerca 26 mutações por ano. A Dr.ª Isabel Gordo, investigadora principal do IGC explica que “até à data, não há nenhuma indicação de que os genomas dos vírus em Portugal sigam um padrão diferente do observado no resto do mundo. Aliás a acumulação de mutações no tempo é o esperado numa situação em que um novo vírus se espalha numa população de hospedeiros suscetíveis”.

Com a pandemia decretada, o IGC rapidamente redirecionou as suas áreas de investigação e otimizou as plataformas tecnológicas de última geração que detém para fazer parte da resposta ao novo vírus. A Dr.ª Mónica Bettencourt Dias, diretora do IGC, considera que é na ciência que vamos encontrar a resposta e por isso “os investigadores vão estar a estudar todas as mutações dos vírus que estão a circular, só assim podemos atuar caso algo de suspeito aconteça no seu genoma”. As equipas do IGC mobilizadas para combater a COVID-19 “mover-se-ão em carga para o travar com toda a ciência que têm”.


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019