Ordem dos Médicos alerta para falta de resposta a outros doentes prioritários
09/04/2020 15:12:09
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Ordem dos Médicos alerta para falta de resposta a outros doentes prioritários

 A Ordem dos Médicos (OM) alertou esta quinta-feira, dia 9 de abril, para a falta de resposta aos doentes prioritários não COVID-19, que diz estarem a ser relegados para segundo plano, em áreas que “não podem esperar”, como a Oncologia ou os transplantes.

 

Segundo a organização, os indicadores de que teve conhecimento sobre o excesso de morbilidade e mortalidade, assim como algumas situações concretas de doentes, mostram que os doentes não COVID-19, “por falta de estratégia e organização da tutela, estão a ser relegados para segundo plano em patologias que não podem esperar”.

A Ordem aponta o diagnóstico, tratamento e/ou seguimento com exames complementares de doentes oncológicos, de transplantados ou a aguardar transplante, de doenças neurológicas e outras doenças crónicas como as autoimunes, a insuficiência cardíaca, a diabetes, a insuficiência renal ou a doença pulmonar obstrutiva crónica, sublinhado que estas doenças “podem descompensar rapidamente” em doentes que, por medo de contaminação, não recorrem às urgências e não têm “alternativa fácil a cuidados de saúde”.

De acordo com dados da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), citados pela OM, deu-se “uma subida de uma média de 297 mortes por dia nos primeiros sete dias de março, para uma média de 352 mortes por dia nos últimos sete dias”.

“O ano de 2020 teve por isso os últimos 10 dias de março com mais mortes dos últimos 12 anos – 3.471″, recorda a Ordem dos Médicos, que aponta igualmente os números do Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que indicam “uma quebra muito significativa” na ida às urgências.
“Só em março, registaram-se menos 246 mil episódios de urgência em relação ao mesmo mês do ano passado e menos 181 mil do que em fevereiro”, frisa.

A entidade reconhece “que numa pandemia como a que estamos a viver é impossível conseguirmos manter toda a atividade normal e responder aos doentes com COVID-19 no SNS”, mas reforça que “também não podemos aceitar que se esteja a fazer uma gestão meramente política desta pasta, em que parece que só os números da pandemia importam e todas as outras doenças e mortes deixaram de existir”, afirma o Dr. Miguel Guimarães, bastonário da OM.

O responsável lembra que muitos dos exames complementares de doentes do SNS, fundamentais para diagnóstico, estadiamento e tratamento de várias doenças, “eram feitos através de convenções com os setores privado e social, que também viram a sua atividade reduzida com encerramento total ou parcial de várias unidades de saúde (hospitais e clínicas) e, com o próprio SNS a requisitar profissionais que acumulavam atividade pública e privada, impedindo os médicos de exercer fora do serviço público”.

“Isto significa que nos próximos meses podemos também ser confrontados com diagnósticos tardios, por exemplo de casos oncológicos, com impacto na possibilidade de tratamento e de cura”, alerta.

O Dr. Miguel Guimarães sublinha a “quebra colossal” no número de doentes que vão à urgência e defende que é urgente que o Ministério da Saúde crie uma task-force, eventualmente a funcionar junto da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que “monitorize com muita transparência e seriedade o que está a acontecer aos outros doentes e que faça contactos diretos para que ninguém fique perdido”.

“Os danos que a COVID-19 está a infligir na nossa sociedade já são suficientemente cruéis para podermos aceitar ainda mais danos colaterais”, reforça o bastonário.

O bastonário lamenta ainda que a tutela não tenha acolhido a proposta da OM de ter hospitais públicos e privados ou áreas específicas bem delimitadas apenas dedicados à COVID-19.

“Da mesma forma, não foi feita atempadamente uma articulação e integração com o setor privado e social, para minimizar o impacto nos doentes com problemas não relacionados com a pandemia”, considera.

A Ordem dos Médicos sublinha que “as idas a uma urgência hospitalar, para os casos urgentes que exigem uma resposta diferenciada e rápida, não devem ser adiadas”, sobretudo perante sintomas de doenças agudas como o enfarte agudo do miocárdio ou o acidente vascular cerebral.


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019