Uma em cada 10 crianças com 13 meses sem proteção contra sarampo
24/04/2020 15:50:19
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Uma em cada 10 crianças com 13 meses sem proteção contra sarampo

Uma em cada 10 crianças com 13 meses de idade em Portugal não tinham no final do ano passado qualquer vacina contra o sarampo. São estas as informações reveladas no relatório do Programa Nacional de Vacinação (PNV), divulgado hoje, dia 24 de abril.

 

O documento, que faz uma avaliação do cumprimento do PNV em 2019, refere que aos 13 meses de idade 14% das crianças ainda não tinham iniciado a vacinação contra o sarampo, nem contra a doença invasiva meningocócica do grupo C, que devem ser administradas aos 12 meses.

“Este facto coloca as crianças desta idade em risco de surtos de sarampo, se contactarem com casos, uma vez que estão, na sua maioria, juntas em creches, sem beneficiarem da imunidade de grupo, conferida a partir de uma cobertura de 95%”, alerta o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A Dr.ª Teresa Fernandes, coordenadora do PNV afirma que, apesar da doença meningocócica normalmente não se manifestar sob a forma de surtos, “é uma doença muito grave nas crianças pequenas” e “quanto mais cedo estiverem imunizadas, melhor”.

“Nós temos imunidade de grupo para a doença meningocócica C, mas aos 12 meses devem vacinar-se o mais cedo possível, para não ficarem suscetíveis”, afirma a responsável, acrescentado: “O mesmo acontece para o sarampo, mas para o sarampo é pior, pois é muito mais contagioso e pode gerar surtos. Temos sarampo por toda a Europa e nos quatro campos do mundo e isso não se pode mesmo descurar”.

A coordenadora sublinha ainda que “no caso do sarampo, o ideal seria ter os 95%, para se atingir a imunidade de grupo”.

 

Cobertura aumentou na segunda dose do sarampo e HPV

A cobertura vacinal subiu no ano passado para a segunda dose do sarampo e para a vacina do vírus do papiloma humano (HPV), de acordo com o relatório do PNV.

A Dr.ª Teresa Fernandes explica que Portugal está bem e que conseguiu, em 2019, “aumentar as taxas para algumas vacinas, como o sarampo, pois a segunda dose (que deve ser tomada aos 5 anos) já vai nos 96 ou 98% (de cobertura), ultrapassando a 95%”, que é quando se atinge a imunidade de grupo. A responsável acrescenta que “até aos 18 anos de idade estão todos com 98% de cobertura”.

O boletim adianta que, em 2019, os objetivos nacionais e internacionais do Programa de Eliminação do Sarampo foram cumpridos, assegurando que não existem surtos da doença em Portugal. Ainda assim, a Direção-Geral da Saúde (DGS) sublinha a importância de “melhorar a vacinação atempada para a primeira dose do esquema recomendado” para o sarampo.

A cobertura vacinal para o esquema completo da vacina HPV, por sua vez, atingiu os 91% dois anos após o início da vacinação e chegou aos 95% aos 14 anos de idade. Ultrapassou também os valores do ano passado, a partir dos 12 anos de idade, sendo que “as raparigas já têm 91 a 95%, já estão todas com o esquema completo”, afirma a Dr.ª Teresa Fernandes, que considera que estes são “excelentes resultados”.

A responsável destaca ainda a vacinação das grávidas, que continua a aumentar e, segundo as estimativas, atingiu os 88% de cobertura: “É fantástico para um grupo etário adulto, ainda por cima as grávidas, que é sempre uma situação em que as pessoas temem qualquer medicamento e também vacinas. É a confiança no PNV”, sublinha.

O relatório indica que a vacinação das grávidas contra a tosse convulsa “continua a destacar-se pela elevadíssima adesão que, três anos após a sua introdução no PNV, continua a aumentar. Estes resultados criam elevadas expectativas na consolidação do controlo da tosse convulsa nas crianças até aos 2 meses de idade”, acrescenta.

Mais de 95% das crianças estão protegidas contra 11 doenças até aos 7 anos de idade e atingiram-se valores próximos dos 95% nas vacinas administradas até aos 25 anos de idade. O documento regista ainda “bons resultados” na vacinação dos adultos contra o tétano, “com valores de 80% a 92% nas ‘idades-chave’ da vacinação”. A avaliação demonstra uma “contínua melhoria da cobertura vacinal no grupo dos 65 anos, que passou de 76% em 2015, para 78% em 2016 e 82% em 2019”, acrescenta o documento.

“É nossa ambição que a vacinação seja o resultado de decisões informadas e esclarecidas, com conhecimento sobre o risco da ação e o risco da inação”, alerta a DGS nas notas finais do documento, sublinhando o momento atual de emergência de saúde pública internacional, com a pandemia da COVID-19.

Esta altura de pandemia “relembrou o mundo que, para além da proteção individual, a maioria das vacinas tem ainda a capacidade de, a partir de determinadas taxas de cobertura vacinal, interromper a circulação dos microrganismos na comunidade, através da imunidade de grupo”, frisa.

Em tempos de pandemia de COVID-19, “o risco de doenças evitáveis pela vacinação a nível internacional mantém-se e pode até aumentar, devendo, assim, ser dada particular importância à vacinação atempada dos grupos mais vulneráveis”, conclui o boletim.

Fonte: Lusa

 


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