Investigador português estuda as interações neuroimunes na infeção pulmonar
30/04/2020 14:45:41
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Investigador português estuda as interações neuroimunes na infeção pulmonar

Uma equipa internacional de cientistas, incluindo o Prof. Doutor Henrique Veiga-Fernandes, investigador do Centro Champalimaud, pretende desvendar como comunicam as células nervosas e imunitárias no pulmão, um trabalho que pode abrir caminho para novos tratamentos de doenças virais que afetam esse órgão.

 

 

O projeto vai receber uma bolsa de 525 mil dólares (cerca de 500 mil euros) da Iniciativa Chan Zuckerberg, criada por Mark Zuckerberg, cofundador da rede social Facebook, e pela Dr.ª Priscilla Chan, pediatra.

É a primeira vez que um cientista português beneficia de uma bolsa desta iniciativa filantrópica, que "aposta na tecnologia para ajudar a resolver alguns dos mais difíceis desafios do mundo", como a erradicação de doenças, refere a Fundação Champalimaud.

A bolsa em causa financia projetos-piloto focados na área da inflamação e realizados por equipas de dois a três investigadores de diferentes especialidades.

Além do Prof. Doutor Henrique Veiga-Fernandes, participam no projeto os Profs. Doutores Isaac ​​​​​​Chiu e Stephen Liberles, da Harvard Medical School, nos Estados Unidos da América, que trabalham nas áreas de Neuroimunologia e Neurociências.

O Prof. Doutor Henrique Veiga-Fernandes, co-diretor da Champalimaud Research e Investigador Principal do Laboratório de Imunofisiologia, disse que a equipa vai "aplicar uma nova tecnologia criada e desenvolvida" no seu laboratório, "para desvendar a forma como os sistemas nervoso e imunitário dialogam entre si em doenças inflamatórias e infecciosas pulmonares".

O estudioso explicou que, num projeto anterior, o seu grupo de trabalho verificou que os neurónios do sistema nervoso periférico comunicam com as células inatas linfoides e os linfócitos T através dos neurotransmissores: "Essa informação ou comando é então utilizada pelas células imunitárias para, por exemplo, combater uma infeção", descreveu.

A tecnologia experimental concebida no laboratório do Prof. Doutor Henrique Veiga-Fernandes, chamada “Kindle Intercellular Signals and Synapses” (KISS), vai ser testada em ratos para avaliar "o grau de 'intimidade' que se estabelece entre células nervosas e imunitárias no pulmão", particularmente na gripe.

"Pela primeira vez, poderemos visualizar a coreografia de infeções pulmonares complexas e como os sistemas nervoso e imunológico se relacionam para resolver essas doenças", acrescenta.

Ainda que a análise esteja restrita à gripe, o cientista admitiu que esta poderá ser alargada a membros da família dos coronavírus, esclarecendo que "o novo coronavírus tem uma elevada capacidade para infetar células nervosas, e, para além disso, observou-se uma resposta imunológica pulmonar desajustada em doentes com COVID, o que se traduz em na gravidade da doença e no seu potencial risco de causar a morte. A descodificação de como os neurónios pulmonares dão instruções às células imunitárias, durante a infeção viral, fornecerá informação valiosa sobre a forma como esses dois sistemas podem cooperar no combate à infeção pulmonar, incluindo a gripe e a COVID-19", destacou.

O investigador esclareceu que a plataforma tecnológica KISS permitiu, através da engenharia genética, alterar células imunitárias para que "possam transmitir informação aos neurónios que com elas estabeleceram interações, 'a fase do beijo'". Esta troca de informação "marca os neurónios intervenientes com uma proteína de cor fluorescente que, depois, pode ser visualizada com microscopia de ponta".

"A visualização vai dar-nos um mapa tridimensional e funcional da arquitetura dos circuitos neuroimunes, no caso concreto no pulmão", precisou o investigador da Fundação Champalimaud. De acordo com o mesmo, “a avaliação da arquitetura neuroimune poderá vir a desvendar novos alvos terapêuticos para doenças virais do pulmão”.

O projeto combina técnicas de genética molecular, Imagiologia e vetores virais (vírus manipulados geneticamente) e será concretizado, na fase piloto, num período máximo de dois anos.

Fonte: Lusa e Fundação Champalimaud


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019