Sindicatos consideram que o regime excecional de proteção exclui médicos
07/05/2020 16:36:52
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Sindicatos consideram que o regime excecional de proteção exclui médicos

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional do Médicos (FNAM) consideram que os profissionais de saúde estão a ser alvo de discriminação no Decreto-Lei 20/2020, que “altera as medidas excecionais e temporárias relativas à pandemia da doença COVID-19”. As entidades foram ouvidas hoje, dia 7 de maio, numa audiência conjunta na Comissão Parlamentar de Saúde.

 

Para o Dr. Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, o regime excecional de proteção de imunodeprimidos e doentes crónicos, que está vedado aos médicos, enfermeiros, forças de segurança e bombeiros, representa “uma discriminação lamentável”.

Por sua vez, o Dr. Noel Carrilho, presidente da FNAM, lamentou que não se aplique aos “profissionais que estão na linha de frente do combate à COVID-19” o que “está definido para todos os outros portugueses, que poderão ser protegidos dessa infeção se tiverem critérios de gravidade, nomeadamente de saúde”.

“Esses profissionais estão excluídos”, disse o presidente da FNAM, considerando ser “uma despersonalização que nós não podemos, nem como médicos, nem como trabalhadores, aceitar”.

Os dirigentes sindicais tinham solicitado a audiência ao parlamento em março e saudaram a Comissão de Saúde por os terem chamado no primeiro ato que tiveram após a situação de emergência, o que, afirmaram, contrasta com “a atitude da ministra da Saúde, que teima em não falar” com os sindicatos e a não querer ouvir a opinião de pessoas que estão no terreno.

Os responsáveis criticaram ainda a “discriminação dos médicos” relativamente aos testes à COVID-19, já que estes “têm de apresentar sintomas ou ter contactado com uma pessoa infetada” para serem submetidos a análises laboratoriais.

O Dr. Jorge Roque da Cunha alertou também para a necessidade do reforço dos equipamentos de proteção, num momento em que as medidas de confinamento estão a ser levantadas e que “vai haver um aumento de casos positivos”. O especialista deu como exemplo o seu centro de saúde, que hoje, dia 7 de maio, só teria material de proteção individual para os enfermeiros que em trabalho domiciliário.

“No Hospital do Litoral Alentejano, um pouco por todo o país, continua a haver a falta de equipamentos de proteção. Se não fossem as autarquias, a sociedade civil, então era muito mais grave”, salientou o presidente do SIM.

Os sindicatos voltaram a alertar para a falta de investimento crónico no Serviço Nacional de Saúde (SNS), defendendo a necessidade de investir nos médicos, nos enfermeiros, nos auxiliares, nos funcionários e nas infraestruturas, porque só dessa maneira “se consegue captar médicos”.

“Não adianta falar na contratação de 100 médicos, quando nós sabemos que se reformaram 300 e que nos próximos três anos vão reformaram-se 1.200 médicos de família e 1.500 médicos hospitalares”, frisou o Dr. Jorge Roque da Cunha.

“Agora é que o SNS vai ser testado no seu limite, porque uma coisa é tratar só COVID-19, outra coisa é tratar todos os doentes e tentar recuperar todo o atraso que se criou” e que já existia, sustentou o Dr. Noel Carrilho.

“Estamos a falar de uma circunstância de stress para o SNS muito gravosa e também não podemos manter os médicos nessa situação de não terem férias, nem limite de horas extraordinárias. Não se pode fazer um sprint no tempo de uma maratona”, rematou.

O SIM defendeu ainda a criação de uma Comissão Independente, que pode não ter a participação dos sindicatos, para avaliar a forma como “o Ministério da Saúde e os seus conselheiros lidaram” com a pandemia COVID-19.

Fonte: Lusa


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