Pessoas com diabetes que vivem sozinhas ou estão deprimidas aderem pior aos tratamentos
08/06/2020 14:49:46
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Pessoas com diabetes que vivem sozinhas ou estão deprimidas aderem pior aos tratamentos

Pessoas com diabetes que vivem sozinhas ou estão deprimidas aderem pior aos tratamentos. É esta a principal conclusão de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), recentemente publicado na Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

 

A FMUP avança que o estudo mostra que estar deprimido e viver sozinho são alguns dos fatores “mais associados a uma baixa adesão ao tratamento da diabetes tipo 2”.

Foram monitorizadas cerca de 100 pessoas com diabetes, sendo que, em média, os doentes sofriam de diabetes tipo 2 há cerca de 10 anos, tomavam mais de quatro medicamentos por dia e tinham outras comorbilidades, como hipertensão arterial (63%), dislipidemia (46%) e obesidade (38%).

De acordo com a FMUP, cerca de 38% dos participantes não aderiam à terapêutica, ou seja, não tomavam corretamente os fármacos receitados para controlar a doença.

O Prof. Doutor Paulo Santos, coordenador do estudo e membro do Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde (MEDCIDS) da FMUP afirma que as pessoas com diabetes “com sintomas depressivos ou que vivem sozinhas são as que apresentam pior adesão aos tratamentos”.

Segundo o estudo, esta má adesão ao tratamento aparece associada a níveis significativamente mais elevados de glicose no sangue, traduzidos em valores superiores de hemoglobina glicada, “o que reflete um mau controlo da doença”.

Contrariamente, as pessoas com diabetes com hipertensão, que nunca fumaram e que vivem acompanhados, apresentaram taxas mais elevadas de adesão à terapêutica, “evidenciando a importância de determinantes sociais no controlo da doença”.

“Aparentemente, a hipertensão será percebida como uma doença mais grave e, portanto, arrasta consigo uma melhor adesão aos tratamentos neste grupo”, garante o coordenador.

Para o Prof. Doutor Paulo Santos, os resultados obtidos com o estudo “ajudam a perceber quais os doentes em maior risco de não adesão, onde os médicos deverão ter uma atitude proativa de rastreio sistemático do grau de adesão aos tratamentos”.

“Numa perspetiva abrangente, de olhar para a pessoa como um todo e não apenas como o portador de determinada doença”, sublinha.

A FMUP salienta ainda que, em todo mundo, estima-se que existam 422 milhões de adultos com diabetes, sendo que em Portugal calcula-se que estes doentes representem 13,3% da população, entre os 20 e 79 anos.

Fonte: Lusa


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