UMinho utiliza estímulos acústicos para ajudar doentes com Parkinson
10/08/2020 12:08:51
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UMinho utiliza estímulos acústicos para ajudar doentes com Parkinson

A Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) quer retardar os efeitos da doença de Parkinson através de estímulos acústicos e monitorização, recorrendo a um leitor de mp3 e a um simples smartwatch no pulso. O objetivo é auxiliar nos processos diários da reabilitação cognitiva e motora daqueles doentes e no seu acompanhamento por cuidadores e médicos.

 

O som é dos principais meios para estimular o ser humano e, nas doenças neurodegenerativas, a musicoterapia ajuda no estado de espírito e a desbloquear movimentos. Nesse sentido, o “TECA-PARK - Tecnologias de capacitação acústica para a assistência, monitorização e reabilitação de pacientes com doença de Parkinson” procura inovar ao recorrer a objetos de uso frequente no quotidiano do doente, através de um kit de estimulação (leitor de mp3 com auriculares, para ouvir duas vezes ao dia uma estimulação de dez minutos) e ainda um kit de monitorização (relógio inteligente, telemóvel ou tablet, para realizar exercícios bissemanais).

“Esses suportes recolhem a informação gerada e enviam-na para servidores, onde algoritmos de inteligência artificial relacionam os dados com a evolução dos sintomas do doente e eventuais melhorias fruto desses estímulos acústicos. Na UMinho criou-se ainda uma ferramenta de monitorização do movimento, decisiva para perceber o efeito dos medicamentos na autonomia dos doentes; isto é, traz mais dados para a sua avaliação clínica”, informa a entidade.

Na primeira fase do projeto, as tecnologias desenvolvidas foram integradas numa plataforma em nuvem que utiliza técnicas de reconhecimento de padrões e big data. O suporte foi validado com as associações Parkinson Madrid, Jovellanos, Aparkam e com o laboratório AgeLab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos da América.

No primeiro trimestre de 2020 decorreram sessões semanais com doentes voluntários do hospital e lar de Guimarães, orientadas pelo Prof. Doutor Nelson Costa. Ainda assim, devido à suspensão das reuniões como consequência da pandemia, não ficou claro se o estímulo acústico produz efeitos retardadores da evolução da patologia.

“No entanto, os resultados prévios confirmaram que a ferramenta é útil para acompanhar a evolução da doença”, revela o investigador do Grupo de Ergonomia & Fatores Humanos do Centro Algoritmi e professor do Departamento de Produção e Sistemas da EEUM.

O responsável acredita que a disponibilidade de informações precisas para os serviços clínicos e de reabilitação poderá melhorar os tempos de resposta na adaptação de protocolos de tratamento farmacológico e de reabilitação, contribuindo para o cuidado e assistência a doentes de Parkinson.

“Iremos prosseguir o projeto logo que possível e estamos a preparar novas candidaturas a financiamento”, explica. O estudo junta engenheiros, neurologistas, neurocientistas e técnicos de reabilitação e assistência. A região transfronteiriça, na qual se insere o “TECA-PARK”, tem uma população tendencialmente envelhecida, dispersa em territórios rurais e com acessibilidade assistencial limitada a nível neurodegenerativo, um tipo de patologia em que a tecnologia poderá ter um impacto muito positivo nos doentes.

O projeto científico conta com a parceria das universidades Politécnica de Madrid e de Oviedo, em Espanha, e o apoio do Hospital Senhora da Oliveira e Lar de Santa Estefânia, ambos em Guimarães. É financiado pelo Centro Internacional sobre o Envelhecimento, ligado ao programa transfronteiriço INTERREG e ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

 

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