Bolsas do Conselho Europeu de Investigação foram atribuídas a dois cientistas lisboetas
16/09/2020 11:54:38
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Bolsas do Conselho Europeu de Investigação foram atribuídas a dois cientistas lisboetas

Elias H. Barriga, do Instituto Gulbenkian de Ciência, e Albino Oliveira-Maia, Centro Champalimaud, recebem bolsas Starting Grants do Conselho Europeu de Investigação para desenvolverem investigação nas áreas da migração celular e da neurobiologia da escolha alimentar, respetivamente.

O Conselho Europeu de Investigação (ERC, do inglês European Research Council) anunciou a lista dos vencedores das Starting Grants de 2020. Este é um esquema de financiamento extremamente competitivo que seleciona promissores cientistas no início de carreira, com excelentes trabalhos no currículo e propostas de investigação excecionais. Esta lista inclui Elias H. Barriga, contemplado com 1,8 milhões de euros, e Albino Oliveira-Maia, que recebeu 1,5 milhões de euros.

Elias H. Barriga, investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência, lidera o grupo de investigação de Mecanismos da Morfogénese, centrado no estudo da migração celular coletiva direcionada, isto é, o movimento coordenado de um grupo de células durante a sua viagem nos tecidos, guiado por sinais externos. Esta função migratória é essencial para um grande número de processos que vão desde o desenvolvimento embrionário, à reparação de tecidos ou à metastização do cancro. Apesar da sua grande relevância biológica, os mecanismos que guiam a migração celular coletiva direcionada no seu ambiente nativo são ainda pouco conhecidos.

Com a atribuição da ERC Starting Grant, Elias e a sua equipa pretendem compreender melhor a forma como as células migram nos ambientes complexos dos nossos corpos, através do projeto MOVE_ME. Nestes ambientes, as células precisam de sentir e de responder a múltiplos sinais de natureza bioquímica e biofísica, mas o efeito recíproco entre estes sinais está ainda pouco caracterizado.

"É de particular relevância para a nossa investigação o mecanismo através do qual estes sinais bioquímicos e biofísicos são integrados para garantir uma migração celular coletiva direcionada que seja coerente", explica Elias Barriga. Com a ERC StG, "o nosso grupo espera conseguir trazer perspetivas únicas para as mais diversas disciplinas, especialmente para o desenvolvimento embrionário e o estudo de malformações congénitas, assim como para o estudo do cancro e da regeneração".

Albino Oliveira-Maia, psiquiatra, neurocientista e ainda diretor da Unidade de Neuropsiquiatria do Centro Champalimaud, recebe uma Starting Grant do ERC para continuar a sua exploração inovadora sobre a comunicação entre os sistemas digestivo e nervoso – projeto denominado CalorieRL. Oliveira-Maia é também o primeiro médico a exercer em Portugal a ser reconhecido com esta bolsa de financiamento.

Recentemente, Oliveira-Maia e a sua equipa identificaram um eixo digestivo-cerebral capaz de controlar a escolha alimentar em ratinhos. O seu trabalho revelou um mecanismo de aprendizagem orquestrado pelos sistemas digestivo e nervoso que leva os animais a procurar ativamente certos alimentos.

Neste novo projeto, Oliveira-Maia e o seu grupo pretender, com base nas suas descobertas, investigar a escolha alimentar em humanos. Afinal se o nosso intestino é capaz de dizer ao cérebro qual é o alimento mais nutritivo, porque muitas vezes não o ouvimos? Quão audível é esta mensagem? E quão diferente é o seu nível de indivíduo para indivíduo? O objetivo deste novo projeto é assim esclarecer como, e porquê, escolhemos os alimentos que ingerimos, o que pode contribuir de alguma forma para a contínua batalha contra a obesidade.

“Com este financiamento, teremos oportunidade de realizar em humanos, e com recurso à mais moderna tecnologia, medições e análises do comportamento e da atividade cerebral em simultâneo. Isto permitirá expandir o nosso programa de investigação sobre o controlo visceral de recompensa alimentar e responder a perguntas que não podem ser abordadas na investigação em modelos animais.”, explica Oliveira-Maia. Acrescenta ainda que “realizar algumas destas experiências em humanos é dispendioso, mas esperamos com o nosso trabalho poder contribuir de forma significativa para resolver problemas relevantes para a saúde humana e a medicina.”


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