Adiamento do diagnóstico do cancro digestivo eleva taxas de mortalidade
23/09/2020 11:30:25
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Adiamento do diagnóstico do cancro digestivo eleva taxas de mortalidade

A Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo (Europacolon Portugal) alerta que adiar o diagnóstico do cancro digestivo eleva taxas de mortalidade.

“Desde março foram adiadas mais de quatro milhões de consultas em Centros de Saúde, um milhão de consultas das várias especialidades médicas e mais de 100 mil cirurgias. Como resultado, os 50 mil diagnósticos anuais de doenças oncológicas não se concretizaram na sua plenitude", alerta o Dr. Vitor Neves, presidente da Europacolon. "Os rastreios de base populacional também estão paralisados, entre os quais o do cancro do intestino, que é o de melhor custo-benefício. Já os poucos que se realizam e testam positivo ficam meses à espera da consequente colonoscopia total. Em alguns hospitais, o prazo de realização deste exame ultrapassa os 12 meses. E esta situação é muito grave!”, acrescentou.

O presidente da Associação revela preocupação “com a falta de resposta e atraso do diagnóstico e tratamento do cancro digestivo e, pior que isso, ausência de resposta estratégica e transparente do Ministério da Saúde para resolver este problema, pois se nada for planeado teremos um futuro com taxas de mortalidade ainda mais elevadas no que diz respeito a estas patologias. A atitude de desvalorização e de desorganização dos cuidados nos doentes portadores de doenças crónicas está a avolumar danos na população portuguesa, nomeadamente a causar diminuição da sobrevivência e perda de qualidade na estabilização das várias doenças oncológicas”

O cancro digestivo, que abrange um conjunto de tumores malignos tais como do intestino, pâncreas, estômago e fígado, quando não diagnosticados e tratados atempadamente reduz significativamente a qualidade e a esperança média de vida do doente. O Dr. Vitor Neves defende “que é importante o rastreio atempado ao cancro digestivo, dos 50 aos 74 anos, ou até antes desta idade, no caso de existir antecedentes familiares diretos ou na presença de sintomas relacionados”, de forma a impedir problemas mais graves.

Por ano, surgem cerca de 17 mil novos cancros digestivos em Portugal, sendo que 10 mil desses doentes não sobrevivem. Se considerarmos que perante o panorama atual, o diagnóstico das doenças não está a ser feito atempadamente, a taxa de mortalidade vai acabar por se elevar. É com base nestas estatísticas que o Dr. Vitor Neves afirma que “não podemos ficar parados por causa da pandemia. Existem outras doenças que matam e em número mais elevado que a pandemia. O Ministério da Saúde devia ter uma estratégia para retomar e continuar com a prevenção de doenças oncológicas, pois só no caso do cancro digestivo é a saúde de muitos cidadãos portugueses que está em causa.”

Existem dois fatores que têm de mudar urgentemente, explica. “Se, por um lado, o Ministério da Saúde tem de garantir as consultas, os rastreios e os tratamentos, por outro, os Portugueses não podem ter medo de ir ao Hospital, têm de confiar no sistema e perder o medo de sair à rua.”

De forma a inverter esta situação, “a Europacolon está disponível para apoiar a comunicação com a população e com Ministério da Saúde para delinear uma estratégia de retoma aos diagnósticos e tratamentos ao cancro digestivo”.

O Dr. Vitor Neves sugere três ações estratégicas: a criação e a divulgação de um Programa Excecional de recuperação das listas de espera para cirurgias, consultas e exames complementares de diagnóstico, com divulgação pública e periódica das respetivas métricas; a implementação de rastreios de base populacional ao cancro do intestino, com a publicação mensal dos testes e médias de adesão; e o aumento do investimento em recursos humanos e equipamentos no SNS, em verbas equivalentes às dos vários países europeus.


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