Especialistas alertam para a necessidade de um registo nacional de patologias da coluna
21/10/2020 15:54:22
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Especialistas alertam para a necessidade de um registo nacional de patologias da coluna

O estudo “Panorama das Cirurgias à Coluna no SNS” revelou que Portugal precisa de um registo nacional de patologias da coluna para avaliar devidamente o impacto e a necessidade de tratamento destas doenças.

Os dados analisados refletem os procedimentos de artrodeses, artroplastias, discectomias, fixações dinâmicas, vertebroplastias, cifoplastias e descompressões realizados nos hospitais do SNS entre 2011 e 2017.
A ideia apresentada no primeiro estudo sobre cirurgia à coluna no SNS, defendida por vários especialistas na apresentação dos dados referentes a 2017, foi divulgada no Dia Mundial da Coluna, no passado dia 16 de outubro.

Este estudo foi realizado pela consultora multinacional IASIST e é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia (SPNC), da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV) e da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT). Conta ainda com o apoio das campanhas “Olhe Pelas Suas Costas” e “Josephine Explica a Escoliose” e da Escola Nacional de Saúde Pública.

Nos seis anos que este estudo abrange, os hospitais públicos portugueses trataram 51.578 doentes. No entanto, existe uma tendência decrescente no número de procedimentos realizados em hospitais públicos, que se acentua de 2016 para 2017, números que podem estar relacionados com o facto de o setor privado dar uma resposta cada vez maior na área das cirurgias da coluna. O Dr. Miguel Casimiro, neurocirurgião e presidente da SPPCV, explica o porquê desta tendência: “a nossa prática em instituições privadas representa já uma enorme fatia do total dos cuidados prestados para o tratamento da patologia da coluna vertebral e precisamos de apurar o tamanho dessa fatia, quais as características dos doentes, que patologias têm e quais os tratamentos realizados, pelo que esperamos alargar o âmbito deste estudo no futuro”.

A mesma ideia é sublinhada pelo Dr. Domingos Coiteiro, neurocirurgião e presidente da SPNC. O especialista defende que “nenhum retrato do panorama nacional da cirurgia de coluna será fidedigno se não incluir o número avultado de procedimentos realizados nesse setor”. E reforça que nesta área “o desafio é enorme. Será imperativo quais os parâmetros e variáveis a analisar, uniformizar o registo de dados e assegurar a sua fiabilidade, incluir resultados, objetivo último da nossa atividade e incluindo a avaliação do doente”.

As assimetrias regionais nos diferentes procedimentos analisados por este estudo também são evidentes. Se, por um lado, há regiões onde determinados procedimentos não são realizados -como por exemplo Évora no caso das artrodeses por deformidades -, há outros locais do país que estão acima da média na realização do mesmo procedimento - neste caso temos por exemplo Braga, Bragança, Porto, Coimbra e Santarém.
Nas regiões que estão abaixo da média, os números podem explicar-se pela escassez de recursos técnicos para a sua execução e também pelas dificuldades da Medicina Geral e Familiar em referenciar as patologias da coluna.

Já as taxas de procedimentos muito acima da média registam-se particularmente junto de centros de tratamentos, devido à proximidade geográfica aos centros, já que as cirurgias à coluna podem representar procedimentos invasivos e com período de internamento prolongado, o que pode afastar os doentes que residem mais longe dos centros de tratamento.

Apesar destas assimetrias, o Prof. Doutor José Guimarães Consciência, ortopedista presidente da SPOT, realça que “a cirurgia da coluna vertebral atinge, em Portugal e no mundo, uma percentagem significativa do número global das cirurgias efetuadas por patologia musculosquelética, o que lhe confere notoriedade no panorama global da saúde pública. E é a qualidade dos nossos cirurgiões e dos serviços clínicos onde eles exercem que tem contribuído decisivamente para uma melhoria dos padrões de vida diária dos doentes”.


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