Prof. Doutor Rufino Silva Prof. Doutor Rufino Silva
10/11/2020 15:10:14
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“Vamos ter uma defesa intransigente do ato médico” em Oftalmologia

“Apoio à formação contínua e à investigação são a pedra de toque do nosso programa”, declara o Prof. Doutor Rufino Silva, candidato à presidência da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO). As eleições realizam-se no dia 12 de dezembro, mas o especialista e a sua equipa já começaram a produzir os programas para o próximo biénio, com o objetivo de tornar as crises oportunidades. Veja a entrevista.

 

News Farma (NF) | O que o levou a candidatar-se à presidência da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO)?

Prof. Doutor Rufino Silva (RS) | A principal razão é porque quero contribuir para melhorar a Oftalmologia portuguesa e a saúde ocular dos portugueses. E quero também retribuir de alguma maneira o que recebi da sociedade. Ao longo destes anos, ganhei experiência nas diferentes posições que fui ocupando, pelo que chegou a altura de retribuir. Por outro lado, acho que tenho as capacidades necessárias para ajudar, com a nossa equipa, a criar para os oftalmologistas de uma rede de conhecimento e saber, um dos pontos fortes do nosso projeto. Pretendemos aglutinar todos os oftalmologistas, numa altura de grandes mudanças devido ao momento que estamos a atravessar, pelo que acredito que, com a equipa que tenho e com a colaboração de todos, vamos conseguir.

 

NF | “Construir o futuro, agora” é o mote da sua candidatura. O que motivou a escolha?

RS | Atravessamos uma época diferente, em que o digital ocupa um espaço enorme. Se nos dissessem há um ano que estaríamos a fazer congressos e conferências virtuais, webinars e que a formação iria ser praticamente toda online não iríamos acreditar. Demos um salto colossal neste curto espaço de tempo, estamos a evoluir e o grande objetivo é fazer das crises oportunidades, inovando com o nosso projeto, nomeadamente na formação. Estamos ainda em campanha, as eleições serão apenas no dia 12 de dezembro, mas os nossos grupos de trabalho já estão a produzir os programas de cada secção para o próximo biénio e isto é, também, inovação, é fazer das novas realidades uma oportunidade para darmos um salto qualitativo no qual já estamos empenhados. Queremos que cada secção seja um polo dinamizador e gerador de formação científica na sociedade.

 

NF | Qual é a composição da sua lista e em que medida o ajudará, caso seja eleito, a essa construção do futuro?

RS | Vai ser difícil mencionar-lhe os nomes todos. Há uma equipa oficial, que inclui 37 pessoas que vão a votos. É uma equipa formada por oftalmologistas de reconhecida competência, quer clínica, quer científica, quer ética e para mim é um orgulho contar e trabalhar com esta equipa. Sinto-me profundamente reconhecido e orgulhoso que as pessoas tenham aderido ao nosso projeto, não só as pessoas que vão a eleição, cujo nome aparece na lista, mas também as pessoas que não aparecendo nas listas oficialmente já estão a trabalhar, elaborando os projetos que iremos realizar no próximo biénio. Obviamente, que estes grupos de trabalho não serão exclusivos e qualquer pessoa poderá depois aderir, mas estes são o início de todo o projeto que vai ser realizado ao longo destes dois anos.

Quero também referir ainda outros grupos de trabalho. Um é o grupo de trabalho da revista que inclui o coordenador e o corpo redatorial e que têm pela frente a difícil tarefa de indexar a mesma. O outro é a SPO Jovem, um grupo muito ativo, ambicioso e em que depositamos enorme esperança porque têm conhecimentos e necessidades que são diferentes dos mais seniores. O terceiro é o grupo de coordenação da página da SPO, que é uma peça fundamental na comunicação com os sócios. Qualquer um destes grupos esta já a construir o futuro.

Temos também algo inovador, que quero partilhar em primeira mão, que será a criação de uma unidade de apoio à investigação e de uma unidade de formação contínua. Uma das missões da sociedade é a ciência e, portanto, queremos que haja, dentro da SPO, uma unidade que apoie a investigação. Por exemplo, se quisermos saber qual é a prevalência de uma determinada patologia em Portugal, mesmo atos clínicos muito comuns, raramente conseguimos; o nosso objetivo é que esta unidade funcione com um elo dinamizador para o acesso a estudos científicos, para criar redes e estrutura e formar pessoas para a ciência e para o ensino, algo que é fundamental para os jovens oftalmologistas.

A unidade de formação contínua é a “pedra de toque” do nosso programa. Temos uma equipa já formada, com um projeto, que tem como objetivo final a criação de uma biblioteca digital, em que todos os conteúdos científicos produzidos pela sociedade, ou outras associações, incluindo internacionais, desde que sejam de interesse para os oftalmologistas, estarão contemplados e devidamente catalogados. Por exemplo, um médico que não está num hospital central e tem menos contacto com determinadas patologias poderá facilmente encontrar a informação que necessita nesta biblioteca digital.

 

NF | Uma vez que faz parte da atual direção, a sua candidatura é, de algum modo, disruptiva face ao mandato que está a finalizar?

RS | Tenho muito orgulho em ter pertencido a esta direção, assim como pertenci a outras direções anteriores, e a ideia que tenho é que as pessoas estão a dar o seu melhor, de livre vontade e de forma gratuita. Todo o trabalho que tem vindo a ser feito pela SPO até agora é a base onde vai assentar o nosso programa, pelo que só tenho de agradecer. Quero referir também que esta direção atual tem muitos méritos: cumpriu o seu programa, no primeiro ano e, este ano, enfrentando a pandemia, foi, por exemplo, pioneira na publicação das normas necessárias para os oftalmologistas se protegerem e protegerem os utentes. Mesmo em pandemia, a SPO vai realizar ainda um congresso virtual e promoveu estas eleições, implementando, pela primeira vez, o voto eletrónico. Pelo que me sinto agradecido e honrado em ter participado nesta direção.

 

NF | O seu programa de candidatura refere a necessidade de uma SPO “inovadora, adaptada aos novos tempos e às novas tecnologias, com formação científica contínua 365 dias”. Estes são os principais eixos em que é necessário atuar?

RS | É uma parte da missão da SPO, apesar de não terminar aqui a função da mesma. A formação é importante, os nossos oftalmologistas são os melhores, pelo que queremos apostar na fomentação do seu conhecimento. Por exemplo, existe um exame europeu de especialidade, o European Board of Ophtalmology (EBO), e os nossos especialistas ficam sempre nos primeiros lugares, pelo que são contratados muito facilmente na Europa e com salários muito superiores. É este conhecimento que pretendemos aproveitar para a produção de conteúdos relevantes para a especialidade. Vamos também unir-nos a outras associações, nacionais e internacionais, para associar conteúdos científicos seus que sejam relevantes à nossa biblioteca digital, tornando-os acessíveis aos médicos, 365 dias no ano.

 

NF | Defende que os oftalmologistas estão a passar por tempos difíceis. Quais são as suas preocupações com a especialidade? O que é necessário mudar para fazer frente aos tempos atípicos?

RS | Há um ponto importante, onde vamos ser perentórios, que é a proteção da saúde ocular da população portuguesa e a defesa do ato médico em Oftalmologia. Vamos esclarecer a população e ter uma defesa intransigente do ato médico na especialidade.

Como lhe disse, temos os melhores oftalmologistas do mundo, que competem e ganham prémios internacionais, com ligações internacionais fortes e capazes de prestar os melhores cuidados médicos aos portugueses. Apenas os Oftalmologistas estão preparados para tal missão. Além disso, vamos estar atentos aos oftalmologistas que, durante a crise de saúde pública, quer a nível pessoal, quer em termos de trabalho, possam estar numa situação instável e a SPO, como sociedade agregadora, tem de estar vigilante também para estas situações.

 

NF | A pandemia veio afetar todas as especialidades, incluindo a Oftalmologia. Este ano atípico motivou a sua decisão de se candidatar à presidência da SPO? Quais foram as maiores dificuldades para os profissionais de saúde da área?

RS | Não foi propriamente a pandemia que me motivou para me candidatar. Foi a vontade de querer contribuir. O facto de conseguir juntar este grupo tão bom de oftalmologistas, numa equipa que eu acho fantástica, levou-me a avançar com toda a certeza e grande confiança de que vamos conseguir os nossos objetivos.

Eu penso que a Oftalmologia portuguesa, a sociedade e os seus sócios irão beneficiar muito nestes dois anos com aquilo que a nossa direção vai acrescentar a todo o trabalho que foi feito até agora. Com a maior das humildades creio que temos a equipa que tem a competência, o saber e a vontade de inovar, com estabilidade e responsabilidade.

 

NF | Caso seja eleito, qual será a sua prioridade, a primeira medida?

RS | Penso que será chamar todos os oftalmologistas, incluindo os que ainda não estão connosco e pedir para trabalharmos em equipa. Temos de trabalhar todos em rede, os oftalmologistas precisam de todos e nós não podemos desperdiçar capacidades e recursos. Não nos podemos esquecer de que temos como objetivo comum olhar pelos oftalmologistas, dos mais jovens aos mais seniores, e melhorar a saúde ocular dos portugueses. Não vai ser o presidente da SPO que vai conseguir fazer tudo isto. Tal só é possível com uma equipa forte, credível, formada por oftalmologistas competentes, reconhecidos pelos seus pares, com experiências diversas, com a qual os oftalmologistas se identificam e se sentem representados.

 

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