Mais de seis mil doentes com DII não têm a doença controlada
23/11/2020 15:35:13
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Mais de seis mil doentes com DII não têm a doença controlada

Em Portugal, vivem aproximadamente 24 mil pessoas com doença inflamatória do intestino (DII). Este número tem aumentado 5% ao ano, existindo mais de seis mil doentes que não têm a doença controlada. Segundo um estudo desenvolvido pela IQVIA para a Janssen, é urgente controlar a DII, não só pela proteção da qualidade de vida dos doentes, como também pelos custos associados, que ascendem aos 146 milhões de euros.

 

De acordo com o trabalho, os custos diretos relativos à DII atingem os 87 milhões de euros em Portugal, ou seja, cerca de 3.600 euros por doente relativamente a consultas, urgências, hospitalizações, cirurgias, medicamentos, exames e transporte. Além disso, a doença representa um total de 2.148 hospitalizações por ano, 272 cirurgias, 48 mil exames e 120 mil consultas no Sistema Nacional de Saúde (SNS). O documento detalha ainda que 15% dos doentes com DII vão a outro hospital que não o do seu distrito.

Um dos coautores do estudo, o Prof. Doutor Fernando Magro, do Centro Hospitalar e Universitário de São João, refere que “é importante conhecer estes números, pois têm uma expressão considerável nos custos globais e na qualidade de vida dos doentes, embora pudessem ser mitigados”.

O especialista acrescenta: “Num outro estudo desenvolvido, identificámos que 33% das hospitalizações são, de facto, re-hospitalizações que, além de mais onerosas, poderiam ser muitas vezes evitadas com um acesso atempado às terapêuticas adequadas e acompanhamento adequado da doença”.

Os restantes 59 milhões de euros dos custos globais representam custos indiretos, relacionados com o absenteísmo, presenteísmo e reforma antecipada. Os doentes faltam em média 15 dias por ano ao trabalho devido à doença e a redução de produtividade durante o horário de trabalho converte-se em 14 dias adicionais de absenteísmo.

Como alerta a Dr.ª Ana Sampaio, presidente da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI), “em média vivemos 40 anos com a doença, mas acredito que com a pandemia esta situação e a qualidade de vida irão piorar. Para além de ser uma doença com muitos custos indiretos, este ano muitos mais doentes viram a sua doença descontrolar-se devido à dificuldade de acesso a cuidados de saúde. Na semana em que se fala deste problema, urge lembrar esta doença que traz uma redução de 25% na qualidade de vida dos doentes e que precisa de mais atenção”.

 


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